Um exemplo vale mais que mil palavras

 

 

Somos seres sociais, que aprendemos a partir do contato com o mundo e com os outros. Assim, o que vemos e vivenciamos no ambiente é constitutivo da nossa subjetividade. Os modos de ser e agir que temos ao nosso redor se tornam modelos de referências a serem aprendidos enquanto possibilidades da nossa cultura.

 

Considerando isto, várias instituições, dentre estas, principalmente a escola e a família, ensinam posturas e atitudes necessárias para se viver em sociedade, além dos conhecimentos sobre o mundo acumulados ao longo da história da humanidade.

A partir destes ensinamentos, cada indivíduo pode aproveitar os conteúdos construídos por outros sujeitos, sem precisar vivenciar todas as situações na pele para adquirir conhecimento.


No entanto, isso não significa que não seja importante a experiência concreta. Para uma criança, é mais significativo ouvir os diferentes sons dos pássaros do que ouvir a professora falar sobre os pássaros; ou ver uma plantinha crescendo ao longo do tempo do que ler sobre quais são estas etapas de crescimento. A perspectiva concreta é a predominante em determinada fase 

do desenvolvimento infantil, e nunca deixa de ser importante no aprendizado.

 

Assim, da mesma forma, as atitudes de uma pessoa de referência e a existência de um modelo sobre como proceder são mais significativas do que ouvir sobre como fazer. A criança aprende muito apenas observando as ações reais dos adultos ao seu redor. Uma pessoa que faz aquilo que fala, legitima com a concretude os seus ensinamentos. O que fica só no discurso acaba perdendo a credibilidade na abstração das ideias. Aqui vale aquele velho ditado: um exemplo vale mais do que mil palavras.

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

Texto originalmente publicado na Revista Fundamental - Ano 06 - Edição 27 - Outubro 2016.

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