Atenção ao Tempo da Criança

 

 

Acordar cedo, preparar algo para comer, organizar tudo para o decorrer do dia. Dentro deste corre-corre também estão os filhos, que precisam tomar café da manhã, vestir a roupa, pegar os materiais e a mochila... A vida moderna exige organização sistemática e sincronização do tempo para que se consiga realizar todas as tarefas a que nos propomos durante o dia.

 

O adulto, com maior capacidade de planejamento e noção de suas responsabilidades, executa sua rotina com a intenção de chegar ao final do dia tendo cumprido todos os seus compromissos. Já no caso das crianças, o mais relevante, na maioria das vezes, é o aprendiza do que esta vai desenvolver ao longo do processo de realização de cada uma de suas tarefas. 

 

Um exemplo é a situação rotineira em que os pais solicitam que a criança amarre o cadarço de seu tênis. Para o adulto, o mais importante é o resultado do cadarço amarrado, visando que a família possa sair de casa no horário previsto. Porém, para o desenvolvimento da criança, o processo de amarrar o cadarço é que importa. A criança vai testar os modos de fazer, treinar a coordenação motora e aprimorar a sua habilidade. Assim, mesmo que ela não consiga concluir o laço, todo o processo pelo qual passa durante a execução da tarefa pode ser de grande valia para seu desenvolvimento.

 

 

 

Sem perceber ou por força da pressa cotidiana, muitos pais colocam-se na frente da criança para executar as tarefas por ela. Isto desincentiva a autonomia infantil e afeta a auto-estima, já que a criança percebe que o adulto vem a todo momento mostrar que sabe fazer mais rápido e melhor, tirando dela a atividade em que estava empenhada.

 

A correria da rotina faz com que se foque na quantidade de afazeres em detrimento da qualidade dos processos, impondo à criança um ritmo que mesmo para os adultos já é difícil de cumprir. Esquece-se que, para a criança, o mais importante não é o tempo do relógio, mas o desenrolar que proporciona novos experimentos.

 

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

Texto originalmente publicado na Revista Fundamental - Ano 05 - Edição 23 - Dezembro 2015.

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