O Século da Diferença

 

 

Entre os indicados ao Oscar como melhor filme este ano, tivemos duas histórias de protagonistas nascidos no século passado que chamaram atenção por suas genialidades no campo das ciências exatas, mas que tiveram suas vidas marcadas por condições consideradas fora dos padrões sociais. “A teoria de tudo” e “O jogo da imitação” trouxeram histórias verídicas, em que Stephen Hawking e Alan Turing, respectivamente, enfrentaram muitas adversidades para continuarem seus estudos e feitos dentro de seus campos de atuação, construindo importantes legados para o conhecimento da humanidade.

 

Até pouco tempo atrás, pessoas que fugiam ao que se considerava normalidade não eram tidas como aptas a viver em sociedade. As famílias não apostavam no desenvolvimento destas crianças e a diferença era motivo de vergonha. Assim, muitas pessoas viviam enclausuradas em casa ou instituições de saúde, como se fossem predestinadas a viver escondidas ou em guetos. Hoje essa situação está mudando, pois este é o século da diferença! E por isso ouvimos tanto falar em inclusão! 

 

A diferença está ocupando todos os espaços. Alguns exemplos

são os prédios públicos reformados para garantir acessibilidade, escolas que abrem suas portas e oferecem suporte para o aprendizado de toda e qualquer criança, profissionais que se especializam para compreender expressões de particularidades, e diversos modos de vida aparecendo e povoando as mídias. Então, a própria sociedade vai conseguindo superar seus preconceitos e gerar condições para que pessoas antes presas a sua suposta condição de doença, agora sejam produtivas e vivam suas vidas com dignidade. E a própria concepção de doença e de diferença vai se modificando. Afinal, quem é que não tem sua própria peculiaridade em algum aspecto de sua vida?

 

As histórias das personalidades dos filmes tiveram muito a nos ensinar. Tanto em termos de superação, especialmente no caso de Hawking, como também em termos de postura social, que é o que nos ensinou principalmente a história de Turing, cuja mensagem simboliza que podemos, enquanto sociedade, aprender com nossos erros para não cometermos mais os mesmos preconceitos.

 

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

Texto originalmente publicado na Revista Fundamental - Ano 05 - Edição 21 - Agosto 2015.

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