A questão da identidade e de rotulações

 

 

Idade, gênero, orientação sexual, religião, classe social... Todos estes marcadores fazem parte da identidade. Ainda outras características físicas como alto e gordo, ou psicológicas como alegre e nervoso podem servir como identificação.
       

A questão da identidade é uma das mais interessantes na psicologia. Conseguir nomear um sentimento ou característica é atribuir um significado compartilhado por outras pessoas. É perceber-se como outros que têm atributos semelhantes, encontrar reconhecimento.
       

Por outro lado, a identidade traz em si uma marca. Ou seja, fala sobre aquilo que você é (por ex: você é medroso). Este nome pode encaixar-se para você, porém, ao mesmo tempo não diz nada sobre sua subjetividade e a singularidade do seu medo. Ser medroso, assim como todas as outras identificações, manifesta-se de modo diferente em cada pessoa.

 

Como contornar este paradoxo? Podemos compreender que as identidades são transitórias e não-totalizantes. Ou seja, em primeiro lugar, aquilo que a pessoa está fazendo no momento não necessariamente reflete o que ela será para o resto da vida. 

Para lidar com criança, isto é particularmente importante. Quando dirigimos a ela uma frase do tipo “Você é desastrado!”, há boas chances de que a criança internalize esta característica como sua. No entanto, quando distinguimos para a criança que seu comportamento é que foi desastroso, ela procurará ajustá-lo de acordo com as expectativas sociais.

 

Em segundo lugar, uma identificação não é a pessoa toda e também não reflete tudo o que ela faz. Neste sentido, observamos nos últimos tempos um cuidado com nomenclaturas e a forma como mencionamos alguns grupos. Por exemplo, o termo deficiente passou a ser substituído por pessoa com deficiência. Nesta nova forma, subentende-se que a pessoa não é só a deficiência, e sim que esta é apenas um aspecto de seu corpo. Que identificações não sirvam para rotular e reduzir!

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

Texto originalmente publicado na Revista Fundamental - Ano 06 - Edição 26 - Agosto 2016.

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