Ensinando a lidar com

conflitos na vida escolar

 

 

Os conflitos têm se mostrado intrínsecos aos relacionamentos humanos, não sendo conhecida uma maneira de eliminá-los completamente das relações. Resta-nos, então, aprendermos a lidar com estes. Quando se trata da educação de crianças, os conflitos que mais preocupam são os acontecem no relacionamento das crianças entre si. Em sala de aula, as professoras lidam com as situações conflitivas que surgem, o que, ao contrário do que muitos podem imaginar, não é uma perda de tempo em detrimento dos conteúdos. Lidar com conflitos é um cuidado com as relações, tornando a ambiente de aprendizado saudável e acolhedor. Também é uma forma de proporcionar ao estudante amadurecimento em seus relacionamentos interpessoais, o que converge com uma proposta de educação integral.

 

Enquanto escola, diante de um conflito ou de uma situação de comportamento que interfira negativamente na convivência do coletivo ou que desrespeite o outro, trabalha-se principalmente com o estabelecimento de limites e com a reparação. Estes, de alguma forma, também compreendem processos de aprendizado, e assim requerem tempo e empenho dos adultos para conseguirem o envolvimento das crianças.

 

 

 

No estabelecimento de limites, procura-se atuar de modo que a criança conheça as regras de convívio social e se aproprie delas. Quanto mais claras e com mais sentido para as crianças forem as regras, mais estas serão cumpridas. Ou seja, a criança precisa conseguir entender o porquê destas. Melhor ainda é quando a própria criança participa da construção das regras, pois dessa forma ela estará mais comprometida em cumpri-las. Em geral, mesmo as crianças pequenas sabem definir regras importantes para a convivência se mediadas adequadamente por um adulto. Por isso, trabalha-se cada vez mais de modo que as crianças participem das combinações gerais de comportamento para a turma, ao invés de trazer somente regras prontas a serem cumpridas.

 

Conflitos e comportamentos inadequados também passam pela necessidade de reparação. Esta é a oportunidade que a criança tem para lidar com a culpa e a possibilidade de consertar o que foi prejudicado com sua atitude. A conversa e o pedido de desculpas, se pertinente, é a forma de reparação mais comum quando se trata de relacionamento que enfrentou situação conflitiva. No caso de um bem material, reparar pode dar-se recolocando no lugar, colando, consertando ou restituindo o que foi danificado. A questão é que a reparação não pode se dar de forma automática, pois, assim como o estabelecimento de limites, precisa fazer sentido para a criança, e, de preferência, partir dela. Neste aspecto, o papel das profissionais educadoras é conduzi-las nesta percepção, fazendo-as dar um significado para suas atitudes e desejar a mudança.

 

 

Me. Yara de Paula Picchetti

CRP 07/23642

Texto originalmente publicado na informativo do Colégio Luterano - Abril 2016.

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