Brinquedos de Criança

 

 

Uma vez uma mãe me perguntou: “É verdade que quando uma criança vai à psicóloga, ela é colocada em uma sala cheia de brinquedos e a psicóloga descobre tudo sobre a criança só a observando brincar?”

 

Bem, não se trata de adivinhação e nem de descobrir verdades, mas o brincar é sim um recurso fundamental no atendimento psicológico.

 

A partir da interação com a criança durante a brincadeira, é possível perceber o modo como ela explora e compreende o mundo à sua volta. Como na maioria das vezes as crianças não conseguem expressar seus sentimentos e dificuldades em palavras, a ludicidade facilita o acesso da psicóloga a estes, abrindo a possibilidade de entender o que subjaz às demandas para o atendimento psicológico. Quando, durante o atendimento, estabeleço o vínculo com a criança e sou convidada à brincar, é como se me fosse oferecido um ingresso para o mundo particular daquela criança.

 

A brincadeira não é importante apenas no atendimento psicológico. As crianças brincam onde estiverem: no consultório, em casa, na escola.

 

 

A criança que brinca é uma criança saudável e está desenvolvendo diversas habilidades cognitivas. As escolas sabem disso e também utilizam o brincar como uma interessante estratégia durante os processos educativos.

 

Desse modo, o lúdico faz parte do desenvolvimento infantil e é utilizado como instrumento de trabalho tanto por nós, psicólogas, como por professoras nas escolas. Porém, antes de tudo, é preciso lembrar que o momento dedicado ao brincar é um momento de escape para a criança. Se, sob um olhar focado na produção, possibilitarmos a brincadeira apenas com vistas à sua função de aprendizado e desenvolvimento cognitivo, tiraremos desta a espontaneidade e a tornaremos uma atividade obrigatória. Assim, a brincadeira perderá todo o encanto e os seus principais propósitos para a criança, que são a liberdade de fantasiar e o lazer.

 

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

Texto originalmente publicado na Revista Fundamental - Ano 05 - Edição 20 - Junho 2015.

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