Aprendendo com os erros

 

 

Comumente na vida cruzamos com pessoas que não assumem suas falhas e fingem que nada aconteceu quando cometem um equívoco. Diante disso, muitas vezes achamos que estamos rodeados de pessoas arrogantes ou desonestas. Infelizmente, isso pode ser uma verdade, mas primeiramente precisamos olhar para o tipo de sociedade que está produzindo este efeito em nossas relações interpessoais.

 

Vivemos um momento histórico que acirra a competitividade, em que status e poder são os principais valores almejados.

 

A competitividade incide sobre o fato de que estes valores não podem ser medidos por si só, a partir de um parâmetro de satisfação pessoal por exemplo, mas sempre precisam ser medidos em relação ao outro. Em uma sociedade competitiva como a nossa, o erro ou engano está associado ao fracasso e é visto como falta de inteligência ou falta de competência.

 

Lamentavelmente, o repúdio ao erro e o incentivo à competição começa lá na escola. As avaliações escolares na maioria das vezes são medidas de acertos e erros para classificar as crianças, e não instrumentos de mapeamento dos aprendizados parafazer avançar o ensino a partir dali.

 

Não se olha para o sentido construtivo do erro, como algo intrínseco e necessário para a aprendizagem.

Assim, nossos ambientes são intolerantes ao erro. As pessoas os omitem, ficam na defensiva, projetam a culpa nos outros ou nos acontecimentos. O erro é visto como sinônimo de insucesso e sabotador da desejada escalada rumo ao status e poder. O projeto de ser o melhor de todos aparece em ruínas diante da pessoa que erra, enquanto ela sente que todos lhe apontam o dedo e riem. 

 

O que uma pessoa omite da outra, em geral, é o que deseja esconder de si própria. As falhas remetem a partes doloridas da nossa personalidade, que necessitam de maturidade para serem tocadas. A construção de espaços e relações acolhedoras proporcionam condições para lidar com isso, pois entendendo que o erro pode ser utilizado para aprender mais, é mais fácil se abrir.

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

Texto originalmente publicado na Revista Fundamental - Ano 06 - Edição 25 - Junho 2016.

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