O acolhimento da professora

 

 

O trabalho na área das humanidades nos exige alguns cuidados no trato com as pessoas com quem interagimos. Assim, quando conversamos com as famílias e com as crianças, consideramos que estas são pessoas que têm emoções, frustrações, desejos. Queremos estar preparadas para lidar com tudo isto, pois no nosso trabalho, apenas passar informações ou comunicar não é suficiente. Precisamos proporcionar que as pessoas consigam entender e dar um sentido para o que dizemos, e que consigamos estabelecer um vínculo de confiança.

 

Pensando nisso, seguem 3 dicas de posturas, que com certeza já são conhecidas das professoras, mas são pontos sempre interessantes de serem repensados para não entrarmos “no automático” com a pressão do dia-a-dia, deixando nossas próprias emoções interferirem na qualidade do nosso trabalho. Quando fazemos uma lista como esta, corremos o risco de torná-la regras a serem seguidas. Não é esse o objetivo. O objetivo é ajudar a arejar as ideias e que cada professora possa ler e incrementar com o seu jeitinho já tão especial de lidar com cada uma das crianças e famílias que passam em suas mãos.

crianças.

 

 

- Escutar: Exercitar a escuta é estar disponível para o outro. É mostrar para a outra pessoa que ela pode trazer percepções e preocupações ainda não lapidadas para serem discutidas conosco. É importar-se com o detalhe do que a pessoa está nos dizendo. Se a família ou a criança acredita que não será escutada caso nos traga um problema, começará a guardar para si e ter atitudes inadequadas, ou dizer para outras pessoas questões que deveriam ser discutidas conosco. Se não conseguimos escutar o que a pessoa está nos comunicando, dificilmente vamos conseguir alguma mudança com ela, pois ela estará focada naquele problema que está sofrendo. Em relação às crianças, que não têm um discurso coerente como o nosso, a escuta é mais difícil. As crianças podem se comunicar conosco por meio de palavras ou comportamentos. Por exemplo, um comportamento de indisciplina, afrontamento ao professor ou mesmo uma dor de barriga veicula mensagens e sempre que possível devemos tentar entender o que a criança quer nos dizer com aquilo que não veio em palavras. Podemos nos indagar: O que será que ela quis dizer com isto? Quais anseios ela está sentindo? O que ela está esperando de mim?

 

- Pensar de modo autocrítico: Às vezes quando recebemos uma reclamação, nos defendemos tentando colocar a culpa na própria pessoa que nos trouxe a reclamação, ou rebatemos com outro problema. Precisamos ficar atentas à nossa parte e escutar em primeiro lugar. Depois, tomando alguns cuidados, podemos pontuar também o que observamos sobre a responsabilidade da pessoa sobre o que ela trouxe. Alguns questionamentos que podemos nos fazer: Por que será que ela está sentindo ou percebendo isso? Será que algo do que eu fiz ou falei tem relação com esta percepção dela? Eu poderia fazer algo a respeito do que ela me disse?

 

- Não provocar desamparo: Para falar sobre assuntos difíceis, há uma técnica chamada “sanduíche” - elogio/crítica/elogio. Esta é utilizada para preparar a pessoa antes de ouvir a crítica e confortá-la ao final da crítica. Para trabalhar na educação, uma adaptação a esta técnica pode ser mais interessante: elogio/crítica/proposição. Com o elogio, a pessoa percebe que também há aspectos positivos, e não se sente reduzida apenas à crítica que virá. Assim, a crítica é vista como apenas um aspecto a ser melhorado. A proposição ao final faz parte do nosso trabalho de orientar. Ao colocarmos um problema e apresentarmos caminhos possíveis, evitamos que a pessoa se sinta desamparada, que o vínculo de confiança se fragilize e que não ocorram mudanças de comportamento. Importante: não fazer elogios vazios, pois mesmo a criança é capaz de perceber isto. Sempre procurar elogiar algo que realmente seja uma característica ou comportamento da pessoa, e que a ajudará a superar a situação.

mudança.

Yara de Paula Picchetti

Psicóloga USP

Mestra em Educação UFRGS

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